Na manhã de 13 de outubro, a Direção dos Serviços de Assuntos de Subsistência da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e os Serviços de Saúde do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) realizaram, no Hospital de Hengqin, uma cerimónia para assinalar o início da partilha transfronteiriça de dados de saúde entre os dois territórios. Esta unidade hospitalar, pertencente ao Primeiro Hospital Afiliado da Universidade de Medicina de Cantão, passou a integrar oficialmente, a partir dessa data, a Plataforma de Registo de Saúde Eletrónico (eHR) de Macau.

Lançada em 2022, a eHR já permitia a partilha de dados de saúde entre 9 instituições médicas. A partir de 13 de outubro, o seu serviço foi alargado, passando a abranger um total de 10 instituições médicas de Hengqin e Macau, entre as quais os Serviços de Saúde da RAEM, o Centro Médico de Macau do Peking Union College Hospital e o Hospital de Hengqin.
Em maio de 2024, este último hospital já tinha implementado um mecanismo de referenciação transfronteiriça de residentes de Macau e o reconhecimento mútuo dos resultados de exames de imagiologia médica. Em 2025, o Centro Hospitalar Conde de São Januário e o Hospital de Hengqin criaram as “Consultas de Especialidades Conjuntas entre Hengqin e Macau”. Em maio deste ano, as duas instituições também estabeleceram um “Centro Conjunto de Formação em Medicina Familiar de Hengqin e Macau”. Com a entrada em funcionamento deste sistema, a cooperação entre os dois territórios alarga-se para além dos serviços médicos especializados e da formação de profissionais de saúde, passando também a ser realizada a partilha de informação clínica.
Os residentes de Macau podem consultar os seus registos de saúde relativos a consultas e tratamentos realizados em Hengqin e Macau através da funcionalidade “A Minha Saúde”, disponível na aplicação “Conta Única de Macau”. Os médicos das instituições de saúde de ambos os territórios com acesso à plataforma podem, nos termos da regulamentação aplicável, consultar os registos de saúde dos residentes de Macau, permitindo-lhes conhecer o historial de consultas, exames e tratamentos realizados em Macau e Hengqin.
Para utilizar a funcionalidade de partilha transfronteiriça da eHR, os residentes de Macau têm primeiro de autorizar, através da Conta Única de Macau, a transferência para Macau dos dados de saúde que lhes dizem respeito e que são recolhidos pelas instituições médicas da Província de Guangdong. Só após esse consentimento é que a instituição médica em causa poderá carregar os respetivos dados clínicos. Em cada consulta numa instituição de saúde de Guangdong, os residentes devem ainda digitalizar, através da Conta Única de Macau, o código QR disponibilizado pela instituição ou gerar um código de verificação de utilização única e confirmar novamente o seu consentimento. Só então o médico poderá consultar os respetivos dados clínicos. Todos os dados médicos ficam armazenados no Centro de Computação em Nuvem do Governo da RAEM e são geridos em conformidade com as normas aplicáveis.
Segundo informações oficiais, desde a criação da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, o número de consultas de residentes de Macau nas instituições de saúde de Hengqin tem aumentado significativamente. Até agosto de 2026, o número acumulado de consultas dos residentes de Macau nas instituições públicas de saúde da Zona de Cooperação Aprofundada ultrapassava as 70 000.