O segundo sábado de outubro assinala a segunda edição anual do Dia Mundial das Aves Migratórias, que este ano tem como tema “Cada ave conta: as suas observações fazem a diferença”. Todos os outonos, mais de uma centena de espécies de aves migratórias chegam a Hengqin. As primeiras já chegaram e começam a movimentar-se pelas zonas húmidas, sendo esperada a chegada progressiva de muitas outras nas próximas semanas.

Entre as primeiras aves migratórias a chegar encontram-se o borrelho-de-coleira-interrompida, o perna-verde-comum e o pilrito-de-peito-preto. De pequenas dimensões, o borrelho-de-coleira-interrompida possui uma plumagem de tons discretos, que lhe permite camuflar-se no ambiente. É ágil a correr e, enquanto procura alimento, alterna entre dar bicadas no solo e fazer pequenas corridas. O perna-verde-comum distingue-se pelas patas relativamente compridas, de tonalidade verde-azeitona, que lhe permitem caminhar em águas com cerca de 30 centímetros de profundidade à procura de alimento. Enquanto se alimenta, mergulha o bico na água e move-o de um lado para o outro. Já o pilrito-de-peito-preto tem patas finas, negras e robustas e desloca-se rapidamente. Na procura de alimento, corre com a cabeça para baixo, dando bicadas no solo ou introduzindo o seu bico comprido e negro na lama e na areia para capturar pequenos organismos.
A escolha de Hengqin como local de paragem e recuperação de energia pelas aves migratórias deve-se, sobretudo, a três fatores: a localização geográfica, as características dos habitats e a disponibilidade de alimento. Situada na parte central da rota migratória da Ásia Oriental–Australásia, Hengqin constitui um importante local de repouso para as aves após longos voos. As zonas húmidas da região integram diversos habitats, como mangais, lodaçais entre-marés, caniçais e extensas superfícies de água aberta, proporcionando espaços adequados para o abrigo e para os respetivos hábitos das diferentes espécies. Além disso, os lodaçais são ricos em recursos alimentares, como organismos bentónicos, pequenos peixes e camarões, permitindo às aves recém-chegadas recuperar energia após longos voos.

Separadas apenas por um braço de água, Hengqin e Macau integram o mesmo sistema ecológico e partilham a mesma rota migratória. As duas regiões têm vindo a cooperar na conservação das zonas húmidas e na proteção da biodiversidade, desenvolvendo estudos conjuntos sobre corredores ecológicos e promovendo medidas de proteção das aves migratórias, desde a conservação dos seus habitats até à monitorização conjunta.